Sobre as Jóias

Desde tempos imemoriais, a humanidade tem feito jóias e com elas tem se adornado. Todas as civilizações, todos os povos de que temos notícia, usaram jóias, em maior ou menor grau. Cada época e cada lugar fez uso de materiais e técnicas joalheiras diferentes, conforme seus determinantes históricos e sociais.
Mas um fato sempre se faz presente, desde os primórdios: o significado na jóia. As jóias sempre expressam um significado, seja ele mais social ou mais individual, mais coletivo ou mais emocional. E as pessoas que as usam, mulheres ou homens, jovens ou maduras, poderosas ou humildes, sempre querem se beneficiar deste significado.
Ora as jóias representam status, casta, origem, nível social a que pertence quem as usa; ora denotam o grau de excelência, a etapa alcançada num ciclo de desenvolvimento qualquer ou numa hierarquia; ora revelam o compromisso da pessoa com uma organização, um grupo ou uma outra pessoa; ou, ainda, o compromisso com uma idéia, sagrada ou profana. Numa outra vertente, mais moderna, contemporânea, muitas vezes as jóias expressam o estado interior daquela pessoa que a concebe: suas percepções, pensamentos, atitudes ou sentimentos num dado momento.
Mas, como tudo neste mundo que se desenvolve, se move para um nível diferente, superior ou inferior, o significado, em cada momento histórico, se deixado à sua própria sorte, também decai. O símbolo, independentemente de sua origem, e desde que se difunda suficientemente, se torna um ícone, depois uma forma de bom valor de troca, e, por fim, um rótulo.
Então já podemos encontrar nas joalherias do mercado, dependendo do lugar do globo terrestre em que nos encontremos, os corações, os crucifixos, os dragões, os yin-yang, os olhos-de-hórus, as letras, hebraicas, sâncritas, etc, por um lado; ou as flores, os pássaros, as borboletas, os golfinhos e uma infinidade de outros representantes da fauna, da flora e de outras manifestações da Natureza, por outro; ou, ainda, outras plásticas – originais, adaptadas ou copiadas - produzidas por aqueles que, inspirados num dia, se tornaram famosos num outro. Em qualquer caso, são formas já bem pasteurizadas, e que contêm apenas um pouco de significado real. Sim, contêm ao menos um pouco, isso não se pode negar. Porque, como disse um sábio, certa vez, toda forma tem o seu efeito.
Mas, por que viver de migalhas, se podemos nos alimentar de algo mais substancial? Se compreendemos bem como se dá esse processo – a origem da forma-significado e a sua difusão, podemos buscar percorrer o caminho de volta, o retorno à fonte do símbolo. Isto nos leva à idéia das tradições.
Veja, na Galeria do Significado, o significado de cada uma das nossas linhas de jóias.

Na existência da Humanidade – todos os homens de todos os tempos – surge, de quando em quando, seres especiais que, por esforços próprios, dons inatos, ou ambos, alcançam e gozam do contato com a Fonte de Tudo, a Origem, o Criador de Tudo Quanto Existe. Alcançam a Verdade, a Sabedoria e a Bondade infinitas. Recebem, assim, Símbolos – com S maiúsculo – que representam as verdades eternas, a eles reveladas, sobre o Divino, o Universo e o Homem.
Esses sábios, geralmente em conjunto com outros que pertencem ao círculo próximo ao seu, e que cuidam de preparar para esse fim, procuram deixar, para os seus semelhantes dos séculos vindouros, um legado, uma herança de conhecimento. Esse grupo, bastante restrito e muitíssimo diferenciado, lança a sua influência na forma de doutrinas filosóficas, escrituras, rituais religiosos, obras artísticas ou arquitetônicas, etc. Os símbolos que receberam, já agora complementados e elucidados por mitos e aforismos, são, desta forma, passados adiante.
Então, com o tempo, os símbolos - bem como os mitos e os aforismos que os acompanham e contribuem para transmitir o seu significado – tornam-se conhecidos por um grupo maior de homens, praticantes ou adeptos de correntes religiosas, filosóficas e outras. E esse grupo, já com uma compreensão menor que os anteriores, passa também às gerações futuras, do melhor modo que pode, o conhecimento.
Por fim, e depois de uma gama maior ou menor de mudanças, determinadas pelas limitações do ser daqueles que recebem e passam adiante o conhecimento, este chega ao grande público. É o último círculo, o círculo dos homens e mulheres que nunca se preocuparam muito com essas coisas ou, se o fizeram, foi com uma motivação mais imediata. Foi com interesse social, político, econômico ou, até - quem sabe!? – por uma razão mais prosaica, mais universal: por um motivo casamenteiro!
Essas correntes de transmissão do conhecimento, que nascem no círculo mais interior e avançam em direção ao círculo mais exterior da humanidade, são chamadas tradições. Muitas das antigas tradições chegaram, com maior ou menor número de ramificações, até os nossos dias. Assim, temos a tradição egípcia, a hebraica, a grega, a cristã, a taoísta, a védica, a tântrica, a budista, a socrático-platônica, e uma série de outras. (Veja, por exemplo, uma parte do legado da tradição budista tibetana entrando na sala Mandala, na Galeria do Significado).
Mas, através dos séculos e ao longo de todo esse processo de transmissão, o principal legado de todas as tradições, os seus símbolos, sofrem deformações ou simplificações, supressões ou acréscimos indevidos, e, como conseqüência, uma perda de substância.

Resgatar a significação mais profunda dos símbolos da humanidade e incorporá-la em anéis, brincos, colares, gargantilhas, pingentes, pulseiras e outros ornamentos em ouro e pedras preciosas: eis a função da jóia de significado, a sua missão, incumbência, meta, a sua destinação.
Para realizar isso, são feitos esforços em duas direções.
Por um lado, cumpre estudar, pesquisar, com dedicação e afinco, os símbolos de uma tradição; meditar demoradamente sobre eles, com respeito e mente aberta; e, então, buscar vivenciar, com intensidade e reverência, os seus ensinamentos, de modo a bem compreender o seu conteúdo, o modo como expressa as verdades imutáveis, a ciência da realidade mais profunda, mais interior, que existe dentro de cada um de nós e do mundo.
Do outro lado, está o desafio de revestir, na forma material de peças de joalheria, a essência de toda essa substância apreendida, do conhecimento e da significação, passados através do símbolo.
Temos, agora, a jóia de significado. É jóia que traz um simbolismo, uma mensagem, um sentido mais profundo a nossas vidas. É jóia de proteção, de boa sorte, e com um conteúdo que nos faz lembrar de nossa origem mais alta. Carrega um significado objetivo, vindo de muito longe, que desperta em nós uma lembrança, uma nostalgia, o real sentimento do nosso Criador Comum.
É jóia que, já pela intenção colocada na composição de seus elementos, gera o seu efeito. Mas, ao coração de quem deseja e pede, como um talismã, atrai uma benesse mais pessoal. E, ao ser da pessoa que busca lhe compreender o significado, induz o conectar-se com dimensões mais profundas do Si Mesmo.
Saiba mais sobre a jóia de significado visitando as salas da Galeria do Significado.

Uma linha é um conjunto de peças de joalheria relacionadas entre si, cada uma com todas as demais, por uma série de atributos comuns: o metal utilizado, as gemas, as formas, as proporções, os significados, etc.
Uma linha Qíedz contempla sempre, como tema, um símbolo de uma das grandes tradições da humanidade. E, assim como o símbolo, a linha celebra e nos conecta com o Divino que existe na alma do homem e do universo.
Por intermédio da vontade, da intenção conscientemente evocada, a linha é concebida e se desenvolve continuamente inserida numa busca, num caminho, numa via de elevação do sentimento e da inteligência, almejando uma arte objetiva, aspirando nos colocar num outro nível de existência.
O trabalho começa pelo estudo dos ícones ou sinais que representam o tema, o símbolo. Continua investigando suas possibilidades plásticas, seus movimentos, seus ritmos, suas cores, texturas, harmonias e contrastes. E segue buscando solucionar sua aplicação à arquitetura da jóia, determinada pelo caráter do metal, das gemas, das técnicas e do uso. Para que, nas formas, cores e composição, nada seja acidental, fortuito ou aleatório. Para que, em cada detalhe, se realize o sublime intuito, o nobre desígnio, a sagrada meta.
E então, já no design das peças, a linha vai entrelaçando a tríplice união, do símbolo com o metal, e com a cristalina gema, que os reconcilia. E, consagrando o casamento destas três dádivas da natureza, incorpora o equilíbrio da trindade em cada peça de joalheria, para o deleite do corpo que a usa e o encantamento dos nossos sentidos.
Assim, através de uma linha Qíedz, emerge, das profundezas de nosso âmago, um simbolismo profundo e perene, sutil e exato, que vem entreter para lembrar. Entreter o pensamento, o desejo e a emoção. Para a lembrança do Céu, da Terra e do Si. Para a lembrança, enfim, da Infinita Benevolência Que Tudo Gera e Regenera.
Saiba tudo sobre cada uma das nossas linhas de jóias visitando as salas Mandala e Binária da Galeria do Significado.